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quinta-feira, 30 de julho de 2009
quarta-feira, 29 de julho de 2009
terça-feira, 28 de julho de 2009
segunda-feira, 27 de julho de 2009
Baader, Meinhof, revoluções e coragem
Nos últimos dias, falei com alguns jornalistas sobre este blog. Alguns mais curiosos a respeito dele como fenômeno da Internet, outros mais interessados em falar sobre política. Das vezes em que falei, tentei mostrar nosso ponto de vista comum, meu e do meu parceiro Viton. Mas, desta vez, quero escrever um pequeno ensaio particular e confessional. Espero que o Viton me desculpe por usar este espaço pra algo tão pessoal.
Ontem fui ver Baader Meinhof Komplex, filme sobre luta armada numa época confusa e belicosa do mundo. Saí da sala de cinema me perguntando como eu me comportaria naquela época, durante a Guerra Fria e as ditaduras latino-americanas.
- Mas que papo chato do caralho!
Calma, não quero falar de esquerda e direita. Quero falar de coragem.
Será que eu teria coragem? Começo este texto sem saber ao certo e peço que você, leitor, embarque comigo nesta reflexão.
Vamos começar por este blog, que não deixa de ser uma iniciativa política. Em princípio, eu olho pra este blog e vejo um verdadeiro termômetro da insatisfação popular. Muito legal. A Internet é basicamente isso mesmo: tudo o que tem relevância pras pessoas vem à tona. Ou seja, tá muito fácil arrumar gente pra atirar pedras nos políticos. Atirar pedras pela Internet? Bem, esse é o outro lado da moeda. É um mundo fácil esse das revoluções virtuais, onde você pode se rebelar da cadeira do seu escritório, ao mesmo tempo em que mata um pouco o trabalho, o que Marx diria que já é um verdadeiro protesto silencioso contra o capitalismo. Conveniente. E pensar que as pessoas já pegaram em armas e agiram estupidamente em nome da liberdade! Nem parece que se passaram 40 anos.
Mas é uma outra época. Hoje está fora de moda fazer música de protesto, por exemplo.
Muita gente pragmática que visita o blog diz que, se o Sarney caísse, não mudaria nada. Eu digo: se o Lula caísse, não mudaria nada. Se ele fosse para um terceiro mandato, não mudaria nada. Cá entre nós, se Brasília fosse dizimada pela gripe H1N1 e tivéssemos que eleger novos representantes, ainda assim não mudaria nada. Isso porque os políticos de Brasília só fazem nos representar. Eles representam nossa complacência com o sofrimento alheio. Eles representam nosso egoísmo. Eles representam esse auê aqui embaixo. Representam essa mistura de gente interessada com gente querendo simplesmente aparecer. Os políticos de Brasília representam a distorção que é este próprio blog, que deixou de me dar satisfação como forma de protesto e agora me satisfaz tornando-me uma celebridade instantânea da blogosfera. Sim, estou falando de mim.
Então, me pergunto: mesmo insatisfeito como estou, eu teria coragem?
Não sei. Porque os tempos são outros. Porque eu tenho que trabalhar e pensar nas minhas férias do ano que vem. Porque tenho contas pra pagar. Porque são tempos em que uma poesia como esta aqui embaixo está fora de moda:
O Açucar.
O branco açúcar que adoçará meu café
Nesta manhã de Ipanema
Não foi produzido por mim
Nem surgiu dentro do açucareiro por milagre.
Vejo-o puro
E afável ao paladar
Como beijo de moça, água
Na pele, flor
Que se dissolve na boca. Mas este açúcar
Não foi feito por mim.
Este açúcar veio
Da mercearia da esquina e
Tampouco o fez o Oliveira,
Dono da mercearia.
Este açúcar veio
De uma usina de açúcar em Pernambuco
Ou no Estado do Rio
E tampouco o fez o dono da usina.
Este açúcar era cana
E veio dos canaviais extensos
Que não nascem por acaso
No regaço do vale.
Em lugares distantes,
Onde não há hospital,
Nem escola, homens que não sabem ler e morrem de fome
Aos 27 anos
Plantaram e colheram a cana
Que viraria açúcar.
Em usinas escuras, homens de vida amarga
E dura
Produziram este açúcar
Branco e puro
Com que adoço meu café esta manhã
Em Ipanema.
Ferreira Gullar
Ontem fui ver Baader Meinhof Komplex, filme sobre luta armada numa época confusa e belicosa do mundo. Saí da sala de cinema me perguntando como eu me comportaria naquela época, durante a Guerra Fria e as ditaduras latino-americanas.
- Mas que papo chato do caralho!
Calma, não quero falar de esquerda e direita. Quero falar de coragem.
Será que eu teria coragem? Começo este texto sem saber ao certo e peço que você, leitor, embarque comigo nesta reflexão.
Vamos começar por este blog, que não deixa de ser uma iniciativa política. Em princípio, eu olho pra este blog e vejo um verdadeiro termômetro da insatisfação popular. Muito legal. A Internet é basicamente isso mesmo: tudo o que tem relevância pras pessoas vem à tona. Ou seja, tá muito fácil arrumar gente pra atirar pedras nos políticos. Atirar pedras pela Internet? Bem, esse é o outro lado da moeda. É um mundo fácil esse das revoluções virtuais, onde você pode se rebelar da cadeira do seu escritório, ao mesmo tempo em que mata um pouco o trabalho, o que Marx diria que já é um verdadeiro protesto silencioso contra o capitalismo. Conveniente. E pensar que as pessoas já pegaram em armas e agiram estupidamente em nome da liberdade! Nem parece que se passaram 40 anos.
Mas é uma outra época. Hoje está fora de moda fazer música de protesto, por exemplo.
Muita gente pragmática que visita o blog diz que, se o Sarney caísse, não mudaria nada. Eu digo: se o Lula caísse, não mudaria nada. Se ele fosse para um terceiro mandato, não mudaria nada. Cá entre nós, se Brasília fosse dizimada pela gripe H1N1 e tivéssemos que eleger novos representantes, ainda assim não mudaria nada. Isso porque os políticos de Brasília só fazem nos representar. Eles representam nossa complacência com o sofrimento alheio. Eles representam nosso egoísmo. Eles representam esse auê aqui embaixo. Representam essa mistura de gente interessada com gente querendo simplesmente aparecer. Os políticos de Brasília representam a distorção que é este próprio blog, que deixou de me dar satisfação como forma de protesto e agora me satisfaz tornando-me uma celebridade instantânea da blogosfera. Sim, estou falando de mim.
Então, me pergunto: mesmo insatisfeito como estou, eu teria coragem?
Não sei. Porque os tempos são outros. Porque eu tenho que trabalhar e pensar nas minhas férias do ano que vem. Porque tenho contas pra pagar. Porque são tempos em que uma poesia como esta aqui embaixo está fora de moda:
O Açucar.
O branco açúcar que adoçará meu café
Nesta manhã de Ipanema
Não foi produzido por mim
Nem surgiu dentro do açucareiro por milagre.
Vejo-o puro
E afável ao paladar
Como beijo de moça, água
Na pele, flor
Que se dissolve na boca. Mas este açúcar
Não foi feito por mim.
Este açúcar veio
Da mercearia da esquina e
Tampouco o fez o Oliveira,
Dono da mercearia.
Este açúcar veio
De uma usina de açúcar em Pernambuco
Ou no Estado do Rio
E tampouco o fez o dono da usina.
Este açúcar era cana
E veio dos canaviais extensos
Que não nascem por acaso
No regaço do vale.
Em lugares distantes,
Onde não há hospital,
Nem escola, homens que não sabem ler e morrem de fome
Aos 27 anos
Plantaram e colheram a cana
Que viraria açúcar.
Em usinas escuras, homens de vida amarga
E dura
Produziram este açúcar
Branco e puro
Com que adoço meu café esta manhã
Em Ipanema.
Ferreira Gullar
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